quinta-feira, 23 de agosto de 2007

NOITE DE GINCANA NA QUADRA DO C.E.R.B.

A arquibancada fervilha de torcidas organizadas. São balões coloridos que se agitam, pompons, cornetas, um barulho, como dizer, barulhento. E, ainda, o microfone ocupado pelo locutor, que ao falar, mistura mais um som. A música, também, toma este espaço sonoro. Difícil distinguir qual som ocupa maior espaço. É como se misturássemos várias cores numa palheta, e a cor reproduzida não tivesse nome, fosse indefinida. O recinto é uma balbúrdia organizada!
É noite de festa. Competição sadia. É a juventude estudantil do C.E.R.B, comemorando os "sessents anos" do nosso querido Colégio. Equipes que se apresentam para cumprir as tarefas: tarefas esportivas, tarefas culturais...
Nossos ouvidos, não podem suportar tanto ruído. Mas... atualmente a poluição sonora tomou conta do planeta Terra. Em outras épocas, a parafernalha eletrônica, não tinha vez. Os sons não eram tão limpos, eram mais baixos, mas, existia paz.
A fanfarra do Colégio Estadual Rio Branco, também se faz presente nesta quadra. São tambores retumbantes, repiques bem marcados, cornetas, trompetes e, sobressaindo, a lira. O som que predomina, agora, é o da fanfarra, que sobrepõe com uma magnífica "Aquarela do Brasil ", mostrando um brasileiro ruidoso e feliz.
A fanfarra silencia, e a torcida explode num aplauso. Que gostoso aplaudir o que é nosso!
A Bandeira do Brasil tremula à frente da fanfarra que ataca um "Parabéns a Você". São momentos de êxtase para uma ex-aluna e atual professora deste Colégio: eu. Uma vida transcorrida nas dependências deste colossal estabelecimento de ensino!
Daqui a pouco as equipes apresentarão suas últimas tarefas e, nós , jurados, estaremos julgando as equipes para apontar a vencedora, aliás, todos são vencedores neste "Colégio Sexagenário"!

(Quadra do C.E.R.B.,18/08/2005, 20h00m )

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Santo Antônio da Platina - Paraná: 93 Anos


Santo Antônio da Platina



Santo Antônio da Platina, "Cidade Jóia".

Brilhante incrustada aos pés do Morro do Bim.

Velada pela Pedra Branca, pelo Cristo, pelo Cruzeiro...

Querida por seus habitantes e imigrantes.



À sua história, já pertenceu grandes homens,

Outros tantos escrevem suas páginas, a cada dia,

Deixando cada vez mais belo o livro de

sua existência, páginas com histórias do Brasil.



És hospitaleira para os forasteiros.

Suas avenidas, na época dos Ipês floridos,

Oferecem tapetes de flores para você passar,

Basta levantar-se um pouquinho mais cedo.



Terra abençoada, onde flores enfeitam

O céu, a terra, a vida e a morte,

Onde todos têm um lugar ao sol

Neste pedacinho do Brasil de 507 anos!





(Setembro de 2000)

sábado, 11 de agosto de 2007

PAI

Quisera que sua presença fosse constante em minha vida. Sinto falta da sua companhia, do seu sorriso, dos seus projetos de vida.
Você, Pai, sempre estava com projetos começados e me contagiava quando explicava-me os detalhes e os sucessos alcançados com cada um deles.
Voltando à minha infância, lembro-me da minha primeira caneta ,você caprichou, era uma "Parker 21", prata e bordô, linda! Eu tinha passado para a segunda série. Fiquei extasiada, não precisaria mais usar aquele tinteiro e nem aquela caneta que deixava tantos borrões em meus cadernos. Você sabia, que ainda guardo a minha primeira caneta de pena? Ela tem lugar de honra em meu escritório, apesar dos borrões, foi com ela que aprendi escrever com tinta. E escrever com tinta, foi muito bom, pois as letras eram bem mais nítidas, pois, meu alto grau de miopia, muito interferiu no decorrer de minha vida de estudante.
E quando você ia à missa de "Sábado de Aleluia" à meia-noite... Eu tinha tanta vontade de ir junto, mas meia-noite era tão tarde, e eu dormia tão cedo! Mas uma certeza eu tinha: no "Domingo de Páscoa", no ninho do meu coelho, teria um coelho de chocolate e moedinhas "de ouro", de chocolate também. Sabíamos que você era nosso "Coelho", mas preferíamos acreditar que existiam coelhinhos.
E quando você comprou aquele som " stereo" com vários "long-plays". Eu gostava muito daquele que tinha músicas italianas com bandolino e daquele outro de música portuguesa, principalmente do fado, Uma Casa Portuguesa. Nós colocávamos doze long-plays, na nossa radiola e ouvíamos música o dia inteiro...
O rádio-portátil Holliday que você me presenteou, foi un sucesso! Eu ouvia Óperas na Rádio Cultura de São Paulo, o "Repórter Esso"...
Você, querido Pai, nos proporcionava meios para adquirirmos cultura. Comprou uma Enciclopédia , o Dicionário, os livros de História, assinava um grande jornal da época, Revistas... Você ficava todo feliz quando nos encontrava lendo. É que, você não freqüentou uma "escola", não foi? Mas, a vida lhe proporcionou uma "faculdade" e você era diplomado, era o nosso herói. Que nos importava o diploma? Sua letra era linda!
Além de tudo isso, nos moldou o caráter, nos ensinando a ser responsáveis, honestos, cumpridores dos nossos deveres. Nos ensinou ainda a temer a Deus.
Hoje, Pai, além de mãe, já sou avó e gostaria que você estivesse aqui para ver seus netos e bisnetos, e ver que, tudo de bom que você me ensinou, eu passo para eles.
Infelizmente, faz dez anos que você partiu, e eu sinto muita saudade de você!

Sua filha.

(27/07/2004)

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

SEIS PONTO ZERO

Hoje, sete de agosto de dois mil e seis, estou completando sessenta anos,ou melhor, "seis ponto zero", como prefiro dizer.
Recebi, logo cedo, um telefonema de minha filha mais velha, parabenizando-me, e perguntou como eu estava me sentindo, ao fazer mais um ano de vida. Respondi-lhe que estava mais perto de Deus, e mais experiente.
Refletindo sobre esses anos, fiquei feliz com as conquistas e amarguei -me com as derrotas.
A primeira conquista, foi quando entrei na Escola, aos sete anos, comecei a estudar e usar óculos. Usar óculos, que maravilha! Enxergar melhor o Mundo! Lembro-me, que o Mundo para mim era um dia de neblina.
Terminada a quarta série, decepção por ter que parar de estudar. O motivo, meus olhos, com um alto grau de miopia. Dos onze aos dezessete anos, não foram anos perdidos, pois aprendi a confeitar bolos artísticos, costurar, fazer tricô, bordar...
Aos dezoito, novas conquistas: lentes de contato e voltar a estudar. Não tinha importância ser a mais velha da classe, pois eu era a número um da sala, sentava na primeira carteira. Sentava ali , por dois motivos: enxergar melhor o que a professora escrevia no quadro, ler os cartazes e aprender melhor.
No dia que fiz vinte anos, conheci meu marido, lindo de terno e gravata! Após três anos e cinco meses de namoro, nos unimos em matrimônio. Faz quarenta anos que estamos juntos. Te amo mais hoje do que ontem, viu meu querido! Vieram os filhos e nos completamos. Veio o genro, ganhamos novo filho. Os netos vieram para nos dar alegria. Infelizmente, um já partiu.
O mais importante é que nos aniversários da nossa família, estamos sempre reunidos. São momentos de felicidade.
Eu nunca pensei que ia chegar aos "seis ponto zero", pois meu vovô João falava que de dois mil anos o Mundo não passaria e que iria acabar com fogo e, eu estaria com cinqüenta e três anos!
Também não pensei que iria aposentar-me. Mas cá estou eu: sexagenária e aposentada!
Aposentada, vírgula, mudei de atividade, e, sexagenária é uma palavra muito pesada, prefiro, "seis ponto zero".
Quero agradecer a Deus por estarmos juntos aqui, com saúde e paz.
Obrigada por terem vindo comemorar comigo, "o seis ponto zero".


(07/08/2006)