Quisera que sua presença fosse constante em minha vida. Sinto falta da sua companhia, do seu sorriso, dos seus projetos de vida.
Você, Pai, sempre estava com projetos começados e me contagiava quando explicava-me os detalhes e os sucessos alcançados com cada um deles.
Voltando à minha infância, lembro-me da minha primeira caneta ,você caprichou, era uma "Parker 21", prata e bordô, linda! Eu tinha passado para a segunda série. Fiquei extasiada, não precisaria mais usar aquele tinteiro e nem aquela caneta que deixava tantos borrões em meus cadernos. Você sabia, que ainda guardo a minha primeira caneta de pena? Ela tem lugar de honra em meu escritório, apesar dos borrões, foi com ela que aprendi escrever com tinta. E escrever com tinta, foi muito bom, pois as letras eram bem mais nítidas, pois, meu alto grau de miopia, muito interferiu no decorrer de minha vida de estudante.
E quando você ia à missa de "Sábado de Aleluia" à meia-noite... Eu tinha tanta vontade de ir junto, mas meia-noite era tão tarde, e eu dormia tão cedo! Mas uma certeza eu tinha: no "Domingo de Páscoa", no ninho do meu coelho, teria um coelho de chocolate e moedinhas "de ouro", de chocolate também. Sabíamos que você era nosso "Coelho", mas preferíamos acreditar que existiam coelhinhos.
E quando você comprou aquele som " stereo" com vários "long-plays". Eu gostava muito daquele que tinha músicas italianas com bandolino e daquele outro de música portuguesa, principalmente do fado, Uma Casa Portuguesa. Nós colocávamos doze long-plays, na nossa radiola e ouvíamos música o dia inteiro...
O rádio-portátil Holliday que você me presenteou, foi un sucesso! Eu ouvia Óperas na Rádio Cultura de São Paulo, o "Repórter Esso"...
Você, querido Pai, nos proporcionava meios para adquirirmos cultura. Comprou uma Enciclopédia , o Dicionário, os livros de História, assinava um grande jornal da época, Revistas... Você ficava todo feliz quando nos encontrava lendo. É que, você não freqüentou uma "escola", não foi? Mas, a vida lhe proporcionou uma "faculdade" e você era diplomado, era o nosso herói. Que nos importava o diploma? Sua letra era linda!
Além de tudo isso, nos moldou o caráter, nos ensinando a ser responsáveis, honestos, cumpridores dos nossos deveres. Nos ensinou ainda a temer a Deus.
Hoje, Pai, além de mãe, já sou avó e gostaria que você estivesse aqui para ver seus netos e bisnetos, e ver que, tudo de bom que você me ensinou, eu passo para eles.
Infelizmente, faz dez anos que você partiu, e eu sinto muita saudade de você!
Sua filha.
(27/07/2004)
sábado, 11 de agosto de 2007
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Um comentário:
Oi mãe!
Muito tocante o texto!
Bjos
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