sábado, 11 de agosto de 2007

PAI

Quisera que sua presença fosse constante em minha vida. Sinto falta da sua companhia, do seu sorriso, dos seus projetos de vida.
Você, Pai, sempre estava com projetos começados e me contagiava quando explicava-me os detalhes e os sucessos alcançados com cada um deles.
Voltando à minha infância, lembro-me da minha primeira caneta ,você caprichou, era uma "Parker 21", prata e bordô, linda! Eu tinha passado para a segunda série. Fiquei extasiada, não precisaria mais usar aquele tinteiro e nem aquela caneta que deixava tantos borrões em meus cadernos. Você sabia, que ainda guardo a minha primeira caneta de pena? Ela tem lugar de honra em meu escritório, apesar dos borrões, foi com ela que aprendi escrever com tinta. E escrever com tinta, foi muito bom, pois as letras eram bem mais nítidas, pois, meu alto grau de miopia, muito interferiu no decorrer de minha vida de estudante.
E quando você ia à missa de "Sábado de Aleluia" à meia-noite... Eu tinha tanta vontade de ir junto, mas meia-noite era tão tarde, e eu dormia tão cedo! Mas uma certeza eu tinha: no "Domingo de Páscoa", no ninho do meu coelho, teria um coelho de chocolate e moedinhas "de ouro", de chocolate também. Sabíamos que você era nosso "Coelho", mas preferíamos acreditar que existiam coelhinhos.
E quando você comprou aquele som " stereo" com vários "long-plays". Eu gostava muito daquele que tinha músicas italianas com bandolino e daquele outro de música portuguesa, principalmente do fado, Uma Casa Portuguesa. Nós colocávamos doze long-plays, na nossa radiola e ouvíamos música o dia inteiro...
O rádio-portátil Holliday que você me presenteou, foi un sucesso! Eu ouvia Óperas na Rádio Cultura de São Paulo, o "Repórter Esso"...
Você, querido Pai, nos proporcionava meios para adquirirmos cultura. Comprou uma Enciclopédia , o Dicionário, os livros de História, assinava um grande jornal da época, Revistas... Você ficava todo feliz quando nos encontrava lendo. É que, você não freqüentou uma "escola", não foi? Mas, a vida lhe proporcionou uma "faculdade" e você era diplomado, era o nosso herói. Que nos importava o diploma? Sua letra era linda!
Além de tudo isso, nos moldou o caráter, nos ensinando a ser responsáveis, honestos, cumpridores dos nossos deveres. Nos ensinou ainda a temer a Deus.
Hoje, Pai, além de mãe, já sou avó e gostaria que você estivesse aqui para ver seus netos e bisnetos, e ver que, tudo de bom que você me ensinou, eu passo para eles.
Infelizmente, faz dez anos que você partiu, e eu sinto muita saudade de você!

Sua filha.

(27/07/2004)

Um comentário:

Giordano Pedro disse...

Oi mãe!
Muito tocante o texto!


Bjos